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 Psicologia   
 
Como às vezes sabotamos
a nossa própria felicidade


Para começar a falar sobre isso, devemos lembrar que o ser humano, de todos os animais, é o menos preparado para adaptar- se ao mundo, por si só. Nós precisamos, desde o primeiro dia de vida, de alguém que nos cuide, alimente, acaricie, oriente, etc. Um cachorrinho depois que nasce não precisa de muito pra sobreviver, além de comida. Um bebezinho, se deixado nas mesmas condições, more a míngua. Os adultos que nos cuidam, portanto, nos instruem desde muito cedo a certas regras de sobrevivência.

Ao longo da vida desenvolvemos um certo “manual de funcionamento do mundo” que usamos na hora de fazer escolhas. Acontece que esse manual é na maior parte, inconsciente. Não sabemos ao certo porque agimos de determinada maneira, nem porque escolhemos certas coisas ou certas pessoas para fazerem parte das nossas vidas. Achamos que “é assim que as coisas são e funcionam.”

Os adultos que nos deram essas informações de sobrevivência, muitas vezes lançaram mão de mensagens punitivas para nos ensinar, mas quando somos adultos, já não mais fazemos uso dessas regras por medo da punição, mas apenas porque sabemos que “é o melhor para nós.”

Os nossos conflitos, no entanto, começam a surgir quando o que aprendemos como “o melhor pra nós” já não pode ser tão bom assim. O que talvez serviu antes, agora está desatualizado. O mundo muda a nossa volta e, por sermos seres dinâmicos por natureza, mudamos a cada momento, a cada nova experiência. O nosso “manual de sobrevivência”, no entanto não mudou, e segue ai, guardadinho lá no nosso inconsciente. É preciso muito esforço e trabalho para que seja atualizado.

Então, muitas de nossas escolhas afetivas resultam de regras defasadas e cujas mensagens são na maioria das vezes para nos preservar. Resultado: nas nossas relações afetivas quase sempre pensamos mais em nós do que no outro. E é por isso que amar não é tarefa tão simples como parece. Ao buscar a nossa evolução e a evolução da outra pessoa, precisamos colocar a prova o nosso “manual”, e atualizá-lo o tempo todo.

Se uma pessoa é infeliz com aquela que a escolheu para amar é porque não está conseguindo se entregar completamente. No seu “manual” talvez tenha uma regra que diz, “você só será feliz se contar consigo mesmo”. A resistência na entrega visa “provar” que o manual está certo. A pessoa fica na relação, mas querendo sair fora. A sua vida se torna um inferno e tal situação confirma o “manual”, levando a comodidade de não precisar mudá-lo.

Atos de amor não contemplam atitudes egoístas como esta. Para que haja amor, há que haver entrega, dedicação e muito trabalho, de ambas as partes envolvidas. É necessário que ambas as partes demonstrem um compromisso não só com o seu próprio crescimento, mas para com o crescimento do outro.

Infelizmente, da forma com vivemos e nos relacionamos hoje, isso e muito raro. O conceito do “EU” se tornou mais forte do que o do “Nós” ou de “Família”, e como disse no começo do texto, o ser humano não sobrevive sozinho. Prestem atenção às suas escolhas e sempre façam uma auto-análise das mensagens que você guarda no seu próprio “manual de sobrevivência”. Amem e sejam amados. Essa é a chave da felicidade. Boa sorte e boas escolhas!



Karina Lapa
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