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Cachoeirense como o rei, eu estava lá também,
não dava para perder o show. Minha mãe e os milhares que lotaram o Madison Square Garden adoraram a primeira turnê internacional de Roberto
Carlos, depois de 12 anos longe dos palcos americanos.
Disseram que foi preparada especialmente para quem conhece as mais de 200 músicas que ele gravou em espanhol. Mas o público gritou, insistiu e ele se rendeu ao nosso idioma. A platéia, maioria brasileira, não gostou nada de ouvir Emociones ao contrário de Emoções.
Na verdade, nem eu gostei, mas era o rei, que em português ou espanhol, emociona. Roberto Carlos
continua o mesmo de sempre, aquele romântico
que enlouquece os fãs. Fico me perguntando o que esse cachoeirense tem de tão especial? Vem logo uma simples resposta. Além de romântico é um poeta. Quando música e letra se encontram é uma parceria inevitável assinada também pelo eterno amigo e irmão camarada, Erasmo Carlos. O show foi rápido, não durou duas horas, teve até calhambeque
no palco do WaMu Theater, telão num momento apaixonante dedicado à Maria Rita, Tom Cavalcante e Hebe Camargo que estavam sentados nas primeiras filas.
Roberto Carlos tentou cantar em espanhol, mas o delírio brasileiro foi maior e a nossa bandeira
estava lá no meio do povão sendo apresentada com orgulho. Ele começou com Emociones, a versão
castelhana de Emoções, mas logo respondeu à aclamação em português. Também abriu o show cumprimentando o público em espanhol, mas prometeu
fazer o melhor que pudesse em português. E ele fez. Logo com Como vai Você acompanhado por milhares de vozes e aplausos, Roberto cumpriu o prometido. Depois veio Cama e Mesa e uma das mais lindas canções de Roberto/Erasmo, Detalhes. Só voz e violão, foi uma volta no tempo, até os anos 70.
Também teve Desabafo e muitas outras composições
bastante conhecidas pelo público. Teve gente até que arriscou um modelito longo para a noite tão especial, acho que foi exagero. Um dos momentos mais românticos foi, sem dúvida, quando
ao piano ele cantou em homenagem à Maria Rita. Maria Rita, Meu Amor com “o sol raiou para mim quando eu te encontrei”, essa estrofe deixa bem claro de onde vem tanta inspiração para suas músicas. Do romântico para um estilo forró e até bossa nova na versão Banda RC 9, apresentada por Roberto como um boeing que tem como piloto o maestro Eduardo Laje.
Adorei quando ele cantou o clássico do argentino
Carlos Gardel, o maior cantor de tangos de todos os tempos. El dia que me quieras foi divino, sem palavras. Mas deu mesmo para arrepiar quando
um coro emocionado acompanhou Roberto com Jesus Cristo, a música preferida da minha avó Maria. Toda família brasileira, tenho certeza, tem alguém que ama Roberto Carlos, tem alguém que aponta uma de suas músicas como favorita.
No final do show, senti que Roberto precisa voltar a Nova Iorque. Ele ainda cantou Amigo, Côncavo e Convexo, Amada Amante, mas ainda faltou aquela suave, bela e maravilhosa música tão conhecida pelos brasileiros, em dueto com Ivete Sangalo. Se eu não te amasse tanto assim ficou pra o próximo show. O pedido não foi só meu. Várias pessoas ficaram sem mais essa emoção. Sabe aquele
gostinho de quero mais, mesmo com o bis no encerramento
do show? Ficou no ar aquela vontade de cheirar flores, “por onde eu vim, dentro do meu coração”. Mas fora a letra da música, momento clássico, que marca seus shows, nós vimos flores. Roberto fez questão de beijar uma a uma e entregar para as fãs, aquelas mais sortudas e olha que foram muitas.
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Izabel Aarão izabelaarao@yahoo.com.br
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